3 de Novembro de 2026 às 09:16
Lucro
O Santander registrou lucro líquido gerencial de R$ 9,687 bilhões nos nove primeiros meses de 2026. Apesar do resultado bilionário, o banco eliminou 5.965 postos de trabalho em doze meses, além de fechar 134 agências e 101 postos de atendimento bancário (PABs).
Os números, divulgados no balanço do banco e analisados pelo Dieese, evidenciam o contraste entre os resultados financeiros do Santander e a redução de empregos e unidades de atendimento.
A holding encerrou setembro com 45.782 empregados, após eliminar 1.545 vagas somente no terceiro trimestre. Enquanto reduz seu quadro de funcionários, o Santander ampliou sua base de clientes em 3,2 milhões em um ano, chegando a 72,9 milhões, segundo dados do Banco Central.
Para Rita Berlofa, secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, a estratégia precisa ser questionada.
“O Santander precisa explicar que modelo de banco está construindo. Não é aceitável ampliar a carteira de clientes, manter lucro de quase R$ 10 bilhões e, ao mesmo tempo, fechar milhares de postos de trabalho e centenas de unidades. Os clientes encontram menos agências e profissionais, enquanto os trabalhadores enfrentam metas e cobranças crescentes. Banco tem função social e precisa garantir atendimento de qualidade, empregos dignos e respeito à população”, ressalta.
Para Ana Marta Lima, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, os números evidenciam uma política que penaliza os trabalhadores.
“É inadmissível que um banco que mantém bilhões de reais em lucro continue tratando a redução de postos de trabalho como estratégia de negócios. Foram quase 6 mil empregos eliminados em um ano, enquanto mais de 3 milhões de novos clientes chegaram ao banco. Quem permanece enfrenta mais pressão, sobrecarga e cobrança por resultados. O crescimento não pode ocorrer às custas da saúde dos funcionários e da precarização das condições de trabalho”, afirma.
Outro dado que chama a atenção é que as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias alcançaram R$ 17,2 bilhões entre janeiro e setembro, crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Por outro lado, as despesas de pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), caíram 3,2%, totalizando R$ 9,034 bilhões.
Com isso, as receitas com serviços e tarifas cobriram 190,1% das despesas de pessoal e PLR, praticamente o dobro do que o banco gastou com seus funcionários.
No terceiro trimestre de 2026, o Santander Brasil registrou lucro de R$ 2,885 bilhões, queda de 4,3% em relação ao trimestre anterior. O retorno gerencial anualizado sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 11,9%, redução de 5,6 pontos percentuais em doze meses.
Segundo o banco, a queda do lucro acumulado foi influenciada pela redução de 1,6% na margem financeira e de 2,4% nas comissões. O resultado também foi beneficiado por créditos tributários, sem os quais a retração teria sido maior.
Apesar do desempenho da operação brasileira, o lucro global do Grupo Santander alcançou € 11,176 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, crescimento de 16% em doze meses. O Brasil respondeu por 14,3% do resultado mundial.
Por: SPBancários
Link: https://seebcgms.org.br/banco-santander/santander-lucra-r-97-bilhoes-mas-fecha-quase-6-mil-postos-de-trabalho/