21 de Novembro de 2020 às 09:54

Caixa ameaça e cobra metas abusivas dos gestores

Assédio moral

O Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região tem recebido denúncias de gestores e demais empregados da Caixa do aumento abusivo das metas, implementado no último dia 16 de novembro. Além disso, há ameaças e pressão de que os empregados que não atingirem as metas ainda correm o risco de perderem suas funções, caracterizando o assédio moral.

O sindicato e as demais entidades representativas dos empregados da Caixa estão se mobilizando contra esse desrespeito por parte de um banco público. 

O secretário de Relações Sindicais e Saúde do SEEBCG-MS e empregado da Caixa, Everton José Gaeta Espindola, faz uma reflexão sobre o assunto, principalmente, neste momento de pandemia, em que os empregados da Caixa já estão se desdobrando para atender a população que precisa do auxílio emergencial. Confira:

Meritocracia?

Vivemos, atualmente, um dos cenários mais perturbadores nas relações humanas deste século XXI. Por um lado, a pandemia do coronavírus ceifa vidas e transforma em pó os pilares do capitalismo; de outro lado, há o aprofundamento dos abismos sociais - com desigualdades, racismos, feminicídios e homofobias -, expostos em toda sua contundência. 

Sem rumos definidos e objetivos claros no enfrentamento dos males econômicos e sociais, mesmo empresas públicas, como a CAIXA, traçam seus objetivos empresariais e os refazem sempre além do pré estabelecido, ignorando, por completo, o mundo ao seu redor.

Não bastasse alteração, para maior, das metas anteriormente estabelecidas, a reboque, como em vários momentos históricos de lutas de trabalhadores, através de Ministério Públicos, Centrais Sindicais e Sindicatos, temos os assédios morais.

Veja que, já não basta atingir 100% da meta, é preciso 115%. Chegar em 115% da meta, possibilita garantir a permanência na função, ou dar um passo adiante na hierarquia da organização. Agora, sim, a famosa meritocracia será aplicada, e os bons, aqueles que superam os objetivos, esses serão os protagonistas dessa empresa chamada CAIXA. 

Mas agir desta forma, pressionar por resultados além do esperado, estabelecer resultados de crescimento absurdos, em meio ao caos, em meio à vidas sendo ceifadas, em meio a índice absurdo de desemprego, seria esse o papel de um banco público? Seria esse tipo de cobrança o papel de uma gestão que diz reconhecer seus empregados como heróis de crachá?

Se hierarquicamente ações deste tipo não partem da direção da CAIXA, de seu presidente e seus diretores, como é possível ocorrer em instâncias inferiores? 

Como imaginar atitudes de assédio moral, de pressão exacerbada, de cobranças desumanas, de atitudes que não constroem resultados duradouros?

Se, em momentos econômicos mais favoráveis, a sanha capitalista e privatista era inadmissível, o que podemos dizer no agora?

É um absurdo essa pressão de um banco público, com ameaças de transferências e rebaixamento, avaliando somente a meta de 115%, sem avaliar fluxo de atendimento, o trabalho prestado pelos empregados da Caixa ao povo brasileiro, principalmente neste momento de pandemia, e mais, sem levar em conta as condições de trabalho oferecidas pela empresa, com inúmeros problemas operacionais e no sistema. É uma prática que leva a um ambiente de terror e de insatisfação dos empregados, sendo que, resultado é feito por pessoas motivadas e felizes com seu ambiente de trabalho.

O Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, ao lado das demais entidades representativas, vai lutar e pressionar para a revisão de metas e, inclusive, exigir o fim do assédio moral. Na nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), renovada em 2020, foram mantidas todas as cláusulas relacionadas com o combate ao assédio moral e a cobrança abusiva por metas (cláusulas 53 e 39). 

Everton José Gaeta Espindola
Secretário de Relações Sindicais e Saúde do SEEBCG-MS

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