24 de Junho de 2026 às 13:43

Categoria bancária entrega minuta de reivindicações à Fenaban

Campanha 2026

O Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou, na manhã desta quarta-feira (24), a minuta de reivindicações para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O encontro marca oficialmente o início da Campanha Nacional visando a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, que deve ter a assinatura renovada até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro.

A primeira mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada também já tem data marcada. Será no dia 2 de julho, na capital paulista.

"A nossa minuta é o resultado de uma construção ampla e coletiva, que reflete a realidade das bancárias e dos bancários de todo o país. Iniciamos essa Campanha Nacional com objetivos muito claros: defender o emprego, garantir um aumento real e combater as metas abusivas que têm adoecido a categoria. Os bancos lucram cifras multibilionárias e têm plenas condições de atender às nossas reivindicações, valorizando quem realmente gera essa riqueza", disse a presidenta do SEEBCG-MS e vice-presidenta da Fetec-CUT/CN, Neide Rodrigues, que faz parte do Comando e participou da entrega da minuta.

 

Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:

- 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
- Fim das metas abusivas;
- Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
- Manutenção dos direitos conquistados;
- Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;
- Defesa do emprego bancário;
- Defesa dos bancos públicos;
- Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.

Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. No mesmo período, os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente.

Entretanto, apesar desse cenário de lucros, os bancos seguem fechando agências e reduzindo postos de trabalho. "A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado", reforçou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

A dirigente recordou ainda que, entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos. “Essa reestruturação está preocupando a categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do seu emprego, onde será o seu local de trabalho. Tudo isso estará em debate nesta campanha nacional”, arrematou.

Consulta Nacional

O Comando Nacional apresentou aos bancos os principais resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada entre os dias 17 de abril e 31 de maio, e que ajudou a nortear o conteúdo da minuta de reivindicações.

Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%.

Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.

A consulta também revelou que 40% dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.

Ultratividade

O Comando Nacional também defendeu a assinatura de um pré-acordo para garantir a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho, fundamental para dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação. A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.

Por: Contraf-CUT - com edição da Comunicação do SEEBCG-MS


 

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