6 de Março de 2026 às 14:16
Dia da Mulher
A categoria bancária fortalece neste 8 de Março - Dia Internacional da Mulher - a agenda de mobilizações sociais, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em torno de uma pauta urgente: o fim da violência contra mulheres e meninas.
“A agenda de mobilizações, neste ano, une luta sindical, defesa da vida e enfrentamento à violência dentro e fora dos locais de trabalho, com atividades durante todo o mês de março”, explica a secretária da Mulher da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Rama Financeiro (Contraf-CUT), Fernanda Lopes.
Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país encerrou 2025 com 1.568 vítimas de feminicídio. Em São Paulo, o quadro é ainda mais alarmante: o estado registrou forte crescimento de casos nos últimos anos, com recordes sucessivos e episódios recentes que expuseram, mais uma vez, a falência da prevenção, da proteção e da resposta estatal diante de agressões já anunciadas.
Fernanda Lopes ressalta que o movimento sindical deve ter papel central nessa luta, porque a violência de gênero não está separada da vida profissional, da autonomia econômica e da saúde das trabalhadoras. “Sabemos, pela própria experiência de organização, que não existe igualdade no trabalho sem o direito básico à vida e à segurança. Quando uma mulher é ameaçada, agredida, assediada ou silenciada, isso também atinge sua permanência no emprego, sua saúde mental e sua autonomia. Por isso, neste 8 de Março, a categoria bancária vai às ruas para dizer que não aceitaremos a naturalização da violência contra mulheres e meninas”, afirma.
A mobilização deste ano ocorre em meio a uma sucessão de casos recentes que chocaram o país e reforçaram a urgência do debate público. Entre eles, está o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro, crime que provocou indignação nacional e reacendeu o alerta para a necessidade de responsabilização dos agressores, fortalecimento da rede de proteção e ampliação do debate sobre consentimento, educação e respeito.
Os números mostram que a barbárie não é episódica. Ela é estrutural. A maior parte dos feminicídios ocorre no ambiente doméstico, muitas vezes praticada por parceiros ou ex-parceiros. Em parte significativa dos casos, as vítimas já haviam sofrido agressões anteriores, ameaças ou perseguições.
No mundo do trabalho, essa violência também se manifesta por meio do assédio moral, do assédio sexual, da discriminação e do adoecimento. O que levou a categoria bancária a incluir, nas pautas de reivindicação nas campanhas negociais com os bancos, medidas de combate ao assédio moral, ao assédio sexual e à violência doméstica e familiar.
“Essas reivindicações resultaram, ao longo dos últimos anos, em conquistas de instrumentos concretos para enfrentar diferentes formas de violência contra a mulher, hoje expressas em cláusulas na nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)”, explica Fernanda Lopes.
Entre essas conquistas estão cláusulas que preveem, nas instituições financeiras, canais específicos de acolhimento às mulheres vítimas de violência e medidas de apoio, como transferência de local de trabalho, alteração de horário de entrada e saída, concessão de empréstimos, atendimento psicológico, alternância entre o regime de trabalho presencial e teletrabalho e orientação financeira.
Paralela a essas conquistas, que devem ser realizadas por parte das empresas, a categoria bancária criou, em 2019, o programa de acolhimento e orientação jurídica humanizada “Basta! Não Irão Nos Calar!”, que oferece escuta qualificada e atendimento jurídico sem revitimização, a partir de uma perspectiva de gênero.
Atualmente, existem 14 canais do “Basta”, instalados em sindicatos de todas as regiões do país e que cobrem bancárias de 485 cidades. Desde a implementação do primeiro canal até hoje, foram mais de 540 atendimentos, 523 processos judiciais acompanhados, 317 medidas protetivas solicitadas, das quais 314 estão vigentes, incluindo a primeira medida protetiva de urgência do país que determinou a retirada de conteúdo ofensivo das redes sociais.
“A nossa categoria transformou indignação em conquista concreta. Criamos canais de acolhimento, avançamos em cláusulas de proteção na convenção coletiva e colocamos o enfrentamento à violência como tema permanente da negociação com os bancos. Isso é fundamental porque muitas mulheres precisam de apoio imediato, orientação segura e proteção para romper o ciclo da violência”, completa Fernanda Lopes.
Neste ano, a jornada da Central para o mês de março tem como mote: “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6x1.” Ao longo de todo o período, acontecerão rodas de conversa, seminários, atos, caminhadas, atividades culturais, campanhas de conscientização e mobilização nas ruas e nas redes sociais, ampliando o diálogo sobre os direitos das mulheres trabalhadoras.
Em Campo Grande-MS, o ato unificado será realizado no sábado, 07 de março, a partir das 08h30, entre as ruas Barão e 14 de Julho.
A Contraf-CUT reforça que nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha. No caso das bancárias, o canal “Basta! Não Irão Nos Calar” é uma ferramenta importante de acolhimento e orientação. Em situações de ameaça ou violência, também é fundamental acionar os serviços públicos de proteção, como o Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher, e o 190, em casos de emergência.
A mobilização do 8 de Março, ressaltam as dirigentes sindicais, não é um ato protocolar. É um chamado à ação diante de uma realidade que já não permite omissão. Para a categoria bancária, enfrentar a violência contra mulheres e meninas é defender a vida, a dignidade e o direito de existir com liberdade — em casa, na rua e no trabalho.
Por: Contraf
Link: https://seebcgms.org.br/mulher/bancarias-mobilizam-8-de-marco-contra-recorde-de-feminicidios/