16 de Janeiro de 2020 às 11:22

Caixa nega reivindicações dos empregados na primeira reunião da mesa permanente em 2020

Negociação

Em mais uma rodada da mesa de negociação permanente, a primeira de 2020, a Comissão de Empregados da Caixa (CEE/Caixa) reuniu-se nesta quarta-feira 15 com a direção da empresa para discutir as pendências das reuniões anteriores, principalmente as reestruturações que estão em andamento, a falta de respeito com os empregados e a necessidade de defender a Caixa como banco 100% público. A Caixa negou praticamente todas as demandas dos empregados.

A Comissão protestou pelo fato de a Caixa ter apresentado no dia 2 de dezembro aos superintendentes, em Brasília, o modelo de reestruturação na rede sem a discussão prévia com a representação dos empregados sobre os impactos do processo em sua vida funcional, em desacordo com a cláusula 48 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Reestruturação

A CEE/Caixa relatou como os trabalhadores receberam as notícias do processo de reestruturação anunciado no dia 2 de dezembro último, explicitando a preocupação sobretudo daqueles que ocupam as funções que, de acordo com o modelo apresentado, são mais afetadas, incluindo algumas em que há a previsão de extinção, como a de Gerente

GOV/Social e Tesoureiro

Os representantes dos bancários questionaram também a transparência do processo, que está em andamento, inclusive com a previsão de adequação física das unidades, apesar das negativas do VP Valter Nunes na “streaming” de 6 de dezembro.

Sustentaram que o processo de verticalização (que será aprofundado com a segmentação, feita por meio da separação de unidades para atendimento exclusivo de perfis), aprofunda a perda de mercado da Caixa, que ocorre desde 2016. A CEE reivindica o fim do processo de reestruturação, para preservar a capacidade de atuação da Caixa e evitar uma redução, direta ou indireta (via segmentação) da sua rede de atendimento.

A Caixa respondeu que existe uma necessidade de mudança, mas que não havia nada definido. Disse que as mudanças seriam necessárias para a estrutura se adequar ao novo modelo de banco que a direção da empresa propõe. Informou que o modelo apresentado passa por um grupo de trabalho que contou com a participação da rede e que não tem mais feito novas nomeações em algumas funções, já em preparação do processo de reestruturação.

A Caixa também confirmou as bases do modelo apresentado, ao responder que nas cidades em que só há uma agência o modelo atual de “agência universal” será mantido.

“A representação dos empregados ressalta que a apresentação das mudanças, da forma como foi feita, demonstra que não se trata meramente de ‘estudo’”, afirma Antônio Abdan, representante da Fetec-CUT/CN na mesa de negociação.

“Um dos segmentos mais apreensivos é o dos tesoureiros, que seriam extintos, já que a função de GO não iria suceder a de tesoureiro, exigindo participação em PSI”, acrescentou.

A CEE questionou o fato de o número de unidades previsto no modelo ser inferior ao número atual. A Caixa não apresentou respostas.

“Carreiras por minuto”

A CEE cobrou o fim das funções por minuto como forma de realizar o provimento ordinário das funções de caixa, tesoureiro e avaliador. A Caixa confirmou que a política é de precarizar o trabalho, quando disse que não há a perspectiva de retorno da nomeação efetiva para as funções de caixa e de tesoureiro. Quanto aos tesoureiros, informou que aguarda o novo modelo de rede para buscar mais definições. O problema é que o novo modelo prevê a extinção da função de tesoureiro.

GOV/Social

A CEE reivindicou a valorização dos empregados que realizam o atendimento social, com a manutenção do gerente e a criação de uma função de assistente ou auxiliar voltado ao atendimento GOV/Social. A Caixa respondeu que aguarda o novo modelo para avaliar a reivindicação.

GDP no PSI

A CEE sustentou que o modelo de PSI que prevê o uso da GDP como parâmetro é excludente, pois exclui os empregados que retornam de licença-médica e maternidade. A Caixa respondeu que no caso de empregadas em licença-maternidade seria facultada a utilização da nota do ciclo anterior. Com relação aos empregados que retornam de licenças-médicas, a avaliação seria feita caso a caso.

A CEE questionou quando o resultado da GDP seria conhecido. A Caixa respondeu que seria a partir da divulgação do balanço, provavelmente abril. A CEE cobrou o fim da GDP. A Caixa respondeu que a GDP é item estratégico, e que será mantida.

Fim do Revalida

Os representantes dos empregados apresentaram denúncias de aplicação do Revalida, a despeito de o anúncio feito pela direção em meados de junho de 2019, inclusive em áreas-meio que passaram por reestruturação. A representação da Caixa na mesa desmentiu a direção, ao assumir que o Revalida continua, e que é instrumento de gestão.

A CEE apontou a contradição da Caixa, que no discurso supervaloriza o GDP e na prática aplica um modelo discricionário como o Revalida. Para a CEE, o Revalida não é ferramenta de gestão na forma como é aplicado, e sim ingerência política.

PSI por Score

A CEE questionou a aplicação do modelo, que não foi apresentado em mesa, o qual trouxe problemas que foram relatados pelos empregados. A Caixa disse que o processo (que aplica uma nota ao empregado de acordo com critérios como Time de Vendas e Conquiste) está sendo construído, e que traria mais celeridade.

A CEE questionou se houve mudança no RH 040. A Caixa respondeu que não. A CEE apontou que o modelo traz mais subjetividade ao processo, aumentando a discricionariedade, reduzindo a transparência, abrindo mais espaço para injustiças e, mais uma vez, para ingerências.

Fim do Bônus Caixa e maior reconhecimento dos empregados

A CEE questionou a existência de um modelo de remuneração que privilegia somente uma parcela dos empregados e ainda reduz a PLR dos demais.

A Caixa respondeu que o Bônus Caixa é uma premiação, e que o jurídico da empresa apoia a medida. A Caixa diz que o bônus é aplicado de acordo com a estratégia da empresa, e direcionado a determinadas funções, especialmente para aquelas responsáveis por “mobilizarem” (ou cobrarem) os resultados das equipes.

A CEE cobrou que, já que o Bônus Caixa é tão bom, que seja pago para todos, uma vez que todos constroem o resultado da empresa, e que o bônus reduz o resultado da Caixa, reduzindo o lucro e, consequentemente, a PLR de todos. A Caixa não trouxe respostas.

Jornada de trabalho

Os representantes dos empregados cobraram o pagamento das horas extras dos gerentes gerais, e o fim de jornadas que extrapolem as 44 horas semanais. A Caixa respondeu que os gerentes gerais, por serem os representantes diretos da empresa, não podem estar sujeitos a controle de jornada, mantendo o posicionamento de mesas anteriores. 

PCD’s

Questionada pela CEE, quanto às dificuldades de adequação das condições de trabalho para alguns PCD, a Caixa disse que “corre atrás das condições de trabalho adequadas aos PCD’s, e que, na medida do possível, resolveu todos os casos”. A CEE relatou alguns casos que contrariam a afirmação da Caixa, como o caso de empregado que não tem acesso ao refeitório, por falta de elevador na unidade, e almoça no quartinho dos vigilantes. A Caixa disse que iria verificar.

“A CEE cobrou um acompanhamento mais pontual da Matriz junto às Gipes, para que as condições de trabalho dos PCD’s seja efetivamente adequadas e não exista um descasamento entre o que a empresa diz e a realidade aponta”, informa Antônio Abdan.

Para conhecimento, os representantes da Caixa anunciaram que a empresa contratou 1.867 empregados na condição de PCD’s, o que zerou a lista de aprovados nesta condição. De tais convocações, houve 32 desligamentos durante o estágio probatório.

Contratação imediata dos concursados de 2014

Cobrada pela CEE, a Caixa disse que após a contratação dos PCD’s iniciou-se a contratação de cerca de 800 empregados da ampla concorrência. A CEE cobra a ampliação do número, que ainda é insuficiente, em virtude dos desligamentos feitos ao longo do ano, inclusive através de incentivos promovidos pela empresa.

Convênio Caixa/FUNCEF/INSS

A CEE cobrou o restabelecimento do convênio e, enquanto não ocorre, que a empresa e a Fundação da qual é patrocinadora apliquem formas de mitigar os prejuízos que o fim do convênio trouxe aos ativos e aposentados. Alertou que os efeitos do fim do convênio afetam a Caixa inclusive do ponto de vista comercial.

Chamou a atenção, também, para o potencial aumento de problemas para a empresa e para os trabalhadores decorrente da marcação das perícias de forma descentralizada, pelo próprio empregado. A Caixa respondeu que está buscando alternativas para o convênio.

Saúde Caixa

A CEE cobrou a revisão dos atuais manuais normativos do Saúde Caixa, que trazem restrições não previstas no ACT, conforme discussões feitas pelos representantes dos usuários no GT e no Conselho de Usuários do Saúde Caixa. Cobrou, também, uma maior transparência na prestação de informações do plano, e reiterou a necessidade do desdobramento dos números referentes às despesas assistenciais por perfil de usuário e o balancete mensal do plano de 2014 em diante.

A Caixa respondeu que os dados do Saúde Caixa alimentarão um banco de dados para agilizar a prestação de informações.

Fonte: Fetec-CUT/CN

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