13 de Janeiro de 2020 às 12:19

Em tempos de desemprego, um milhão de famílias são excluídas do Bolsa Família

Bolsa Família

Ministério da Cidadania

O Programa Bolsa Família voltou os patamares de 2010. Em 2019, cerca de um milhão de famílias foram excluídas do programa. No primeiro semestre, 14,3 milhões de famílias recebiam o benefício, o número caiu em setembro, passando a atender 13,5 milhões. Os dados vão de encontro com um momento difícil pela qual passa a população mais vulnerável do país, o desemprego. Segundo o IBGE, 12,5 milhões de pessoas ainda lutam para conseguir o salário no fim do mês.

Criado em 2003, o Bolsa Família é o programa de transferência de renda brasileiro reconhecido mundialmente. Foi por meio do programa que o Brasil saiu do Mapa da Fome, divulgado anualmente pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2014.

A ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, afirmou que, atualmente, o desemprego é o dobro do que era há nove anos e com muita precarização. Diante desse cenário, muitas famílias estão em busca do programa, sem retorno. "Um milhão de famílias que se enquadram nos requisitos do programa estão fora, tentando entrar, mas o programa está congelado", disse Tereza.

Uma mudança está prevista para o Bolsa Família, como anunciou o governo na última quarta-feira. Detalhes da proposta foram apresentadas ao presidente Jair Bolsonaro e até uma mudança no nome do programa estaria nos planos. Na avaliação de Tereza, o plano visa excluir cada vez mais a população mais pobre. "Estamos falando de tirar dessas famílias R$ 190, o que faz muita falta. O que esse governo precisa é criar empregos”, avaliou.

O banco da cidadania

Além da exclusão das famílias, o encolhimento da estrutura da Caixa, com a venda de ativos pela atual gestão e o fechamento de agências, vem prejudicando diretamente os beneficiários do Bolsa Família. A Caixa é a principal responsável pelo pagamento do benefício para as famílias de baixa renda. Segundo o presidente da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira, os bancos privados não vão abrir agências onde não há lucro.

"Quem é que vai entregar o cartão nesses locais distantes? Pessoa que as vezes anda 30, 40, 50 quilômetros para pegar um cartão do bolsa família. Quem é que está por trás dessa estrutura? É a Caixa, é um banco público. É essa pessoa que poderá ficar sem um banco que ajuda a distribuir o bolsa família em todos os locais desse país", afirmou Ferreira.

Presente em todos os municípios brasileiros, a Caixa sempre exerceu um papel fundamental no desenvolvimento social do Brasil. É graças a capilaridade do banco, com uma rede de atendimento que possui 54,1 mil pontos país afora - são 4,1 mil agências e postos de atendimento; 28,7 mil máquinas de autoatendimento; 8,3 mil correspondentes Caixa Aqui; e 13 mil casas lotéricas - que as famílias que moram mais afastadas conseguem receber o Bolsa Família.

"Quando o governo criou o Bolsa Família, você precisava de uma grande empresa, de um grande instrumento pra você chegar no Brasil todo", lembrou Jair Pedro Ferreira.

Fonte: Contraf-CUT

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