4 de Dezembro de 2019 às 09:31

Planos para privatização do Banco do Brasil seguem em alta no governo

BB

Ministério da Economia se prepara para apresentar um plano que inicia a desestatização de um dos bancos mais antigos do país, o Banco do Brasil. Segundo reportagem do jorna o O Globo com fontes que acompanham o programa de desestatização do governo federal, a equipe econômica aguarda apenas o aval do presidente Jair Bolsonaro para dar início ao processo, que pode ocorrer até o fim de 2022. O governo tem negado que pretende privatizar o Banco do Brasil, a Caixa e a Petrobras, mas aos poucos prepara as vendas. Com a Petrobrás, a venda começou com a BR distribuidora. Na Caixa, a Lotex é o exemplo mais claro do início do fatiamento, além da sequência de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) das subsidiárias.

A privatização do Banco do Brasil já foi tema de discussões dentro do governo, segundo apurou o jornal O Globo. Durante uma reunião do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), há duas semanas, a proposta voltou a circular. Ainda assim, o Ministério da Economia negou que pretende privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras. O Banco do Brasil não comentou o assunto. O ministro estaria tentando convencer o presidente a colocar o Banco do Brasil nas privatizações que serão enviadas ao Congresso no próximo ano.

O vice-presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto, chama a atenção para o discurso do governo que mesmo negando ainda faz os planos para a venda. Para ele, a notícia de que há um processo de privatização do Banco do Brasil serve de alerta para os empregados da Caixa.

"Isso é um alerta para nós. Precisamos ficar atentos porque a intensão deles é privatizar tudo e com certeza a Caixa vai sofrer as consequências. Da mesma forma em que querem acabar com o Banco do Brasil, a Caixa também poderá ser privatizada, vendendo as subsidiárias e as partes mais lucrativas", afirmou Takemoto.

Até agora, o banco já vendeu sua participação na resseguradora IRB, fez oferta secundária de ações e vendeu frações na BB Seguridade, Neoenergia, Companhia Brasileira Securitização (Cibrasec) e Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE). Nos 200 dias de governo, a equipe econômica vendeu R$ 16 bilhões de ativos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, seguindo o diretriz de desestatizar o crédito no Brasil. Os dados foram divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A explicação da equipe de Paulo Guedes para a privatização do Banco do Brasil seria uma maneira de baratear e diversificar o acesso ao crédito no país. Para integrantes do grupo, o setor é considerado altamente concentrado e pouco competitivo.

Empresas estratégicas para o desenvolvimento do Brasil

Os bancos públicos cumprem um papel importante na cadeia de desenvolvimento do país, fornecendo crédito a juros mais baixos, financiando moradias para quem deseja a casa própria, está na agricultura, nas grandes empresas, microempresas e setores informais. São mais de nove mil agências espalhadas por todo o país. Eles são responsáveis por 45,4% das operações de crédito e 80% do crédito imobiliário, o que corresponde a mais de R$ 598 bilhões.

Outro exemplo da importância dos bancos públicos está no Programa Nacional de Fortalecimento à Agricultura Familiar (Pronaf), a cardo do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste. O programa é responsável por cerca de 70% do volume de crédito concedido à agricultura familiar. É graças a esse incentivo que os agricultores familiares conseguem abastecer a mesa dos brasileiros e serem responsáveis pela produção de 70% dos alimentos consumidos.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, são os bancos públicos os grandes responsáveis por financiamentos em áreas essenciais como habitação, financiamento agrícola e de empresas.  “Os bancos públicos estão sob ataque e nosso papel é esclarecer a sociedade de que essas empresas, que o atual governo está querendo fatiar para depois privatizar, têm sido os grandes pilares para geração de renda e empregos, para o desenvolvimento econômico e social”, lembrou o presidente da Fenae.

Fonte: Fenae

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