16 de Outubro de 2026 às 08:00
Cenário

Por: Neide Rodrigues - presidenta do SEEBCG-MS e vice-presidenta da Fetec-CUT Centro-Norte
O Brasil caminha para novos rumos. A direção apontada é a do "pró-mercado", "pró-agro", "pró-privatização" e da maior flexibilização nas negociações entre patrão e empregado. Nesse cenário, como você imagina o seu emprego nos próximos quatro anos? Faça um exercício: você, que é de banco público, como será com a privatização da Caixa e do Banco do Brasil? E você, do banco privado, como acha que será a negociação individual entre você e o banqueiro?
O novo cenário político que se avizinha parece agir com vingança. Uma proposta de fim da escala 6x1 está se transformando em trabalho por hora. Os servidores públicos são vistos como marajás e os trabalhadores em geral como tendo direitos demais. Uma inverdade como tantas outras.
Há quem duvide, mas os sindicatos foram escolhidos como alvo prioritário por Flávio Bolsonaro, justamente porque são a principal barreira de proteção do trabalhador. Talvez você não saiba, mas 85% dos direitos das nossas CCTs e ACTs não existiriam se dependesse apenas da CLT, conquista fruto de décadas de negociação coletiva.
Você pode até pensar: "Eu produzo muito, bato todas as metas e vou me dar bem sozinho". A armadilha desse pensamento é esquecer que, isoladamente, nenhum trabalhador tem força de negociação frente ao empregador. Quem tem o dinheiro dita as regras.
Vejam o caso recente da Caixa: mesmo com greve, a direção não aceitou negociar termos melhores para os empregados e a questão teve que ser decidida na Justiça. O resultado não foi o esperado pelos empregados. No Santander, o banco tentou abrir aos sábados descumprindo regras e pressionando funcionários; as negociações diretas foram em vão e só pararam após ação judicial do sindicato. Dois exemplos reais de como os empregadores pensam e agem.
Enquanto isso, os bancos privados intensificam a pejotização e terceirizam serviços tipicamente bancários para reduzir salários e elevar lucros, retirando direitos da categoria. Se Banco do Brasil e Caixa forem privatizados, o cenário piora: a concorrência na categoria explodirá, com todos disputando o mesmo espaço, e o clima de pressão, já insustentável hoje, ficará ainda mais grave.
Mas o impacto vai além. A privatização do BB atinge em cheio o agronegócio e a mesa dos brasileiros, pois um banco privado não financia a produção a juros subsidiados. O resultado? Crédito mais caro e aumento no preço dos alimentos. Para piorar, a entrega de estatais lucrativas - que somaram mais de R$ 170 bilhões em lucros apenas em 2025 - reduz a arrecadação pública. Com isso, o governo passa a ser pressionado a cortar recursos da saúde, da educação e de programas sociais, ou a aumentar impostos.
O caminho proposto é o do "cada um por si". Michel Temer aprovou a Reforma Trabalhista e Jair Bolsonaro a Reforma da Previdência prometendo prosperidade, mas o resultado foi a precarização para quem trabalha.
Sem maioria no Congresso, o governo Lula não teve força para reverter esses retrocessos e, agora, novas propostas preveem o trabalho por hora e a privatização de até 95% das empresas públicas, nas palavras de Flávio Bolsonaro.
Não gostaríamos de trazer alertas tão duros para uma categoria já tão sobrecarregada, mas esses são os fatos. O que precisamos é equilibrar as forças. Com um Congresso de maioria alinhada a essa agenda e a possibilidade de um Executivo com a mesma ideologia, não haverá freios para a retirada de direitos e privatizações.
No próximo dia 25 de outubro, a escolha está posta: fortalecer a última linha de defesa dos seus direitos ou caminhar para o fim das garantias trabalhistas, a entrega dos bancos públicos e o fim da estabilidade dos empregados, tudo visando maximizar o lucro dos banqueiros.
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