15 de Outubro de 2026 às 07:24

Vitória dos trabalhadores: Senado aprova fim da escala 6x1

PEC

O Senado aprovou, com maioria esmagadora e em dois turnos, nesta quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que substitui a escala de trabalho 6x1 pela escala 5x2. Com a confirmação do texto, que já havia sido aprovado em maio na Câmara dos Deputados, a jornada no Brasil passa de 44h para 40h semanais, sem redução salarial, com garantia de dois dias semanais de descanso remunerados.

O texto teve 75 votos a favor e apenas 1 contra nos dois turnos. O voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O fim da escala 6x1 é uma vitória do Sindicato, Contraf-CUT, CUT, de toda a classe trabalhadora brasileira e do governo Lula, que desde o início dos debates encabeçou a luta pela sua aprovação.

"Mais justiça social e mais felicidade para o nosso povo", declarou o senador Paulo Paim (PT-RS), durante o seu voto. "O trabalho está mudando, a economia está mudando, a sociedade está mudando e nós temos a responsabilidade de refletir sobre essas transformações e garantir que o progresso tecnológico esteja à serviço das pessoas. O desenvolvimento só tem sentido quando melhora a vida das pessoas", destacou emocionado o parlamentar que, durante anos, lutou pelo fim da escala 6x1.

"Hoje é um dia que entra para a história do Brasil! Depois de anos de luta incansável dos trabalhadores e da CUT, o Senado fez justiça ao aprovar o fim da escala 6x1 e a jornada de 40 horas semanais sem redução de salário. É mais tempo de lazer, mais saúde mental e mais qualidade de vida para o nosso povo. Essa conquista gigante é fruto direto da pressão popular e da garra do nosso movimento sindical", disse a presidenta do SEEBCG-MS, Neide Rodrigues.

O Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região sempre atuou na defesa do fim da escala 6x1, levando a pauta para suas redes sociais, site e atos presenciais, além de integrar as edições de 2025 e 2026 da Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília. O Sindicato também colaborou com o Plebiscito Popular 2025, iniciativa que reuniu mais de 2 milhões de votos em defesa do fim da escala 6x1 e da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Como vai funcionar o fim da escala 6x1

Após a promulgação da PEC, prevista para a próxima semana, tem início o período de transição:

  • Em dois meses, redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de folga, remunerados, na semana;
  • Em um ano após esses dois meses, redução da jornada para 40 horas.

Vitória histórica 

A presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Juvandia Moreira, destaca que o fim da escala 6x1 é uma pauta defendida pelos trabalhadores desde 1985, a partir da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1988.

"A CUT nasceu desta luta pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Esse resultado hoje, no Senado, portanto, consolida uma vitória de anos de batalha para devolver ao trabalhador mais tempo com a família, tempo de descanso, tempo de lazer. Significa uma evolução social pela dignidade, com impactos que serão positivos para todo o país, com maior equilíbrio entre vida e trabalho, e menos afastamentos por esgotamento físico e mental relacionados à sobrecarga no serviço", comemora.

A dirigente lembra também que, nos anos 2000, a CUT lançou, em conjunto com outras entidades sindicais, a Campanha Nacional pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salário. Mais recentemente, em 2024, o tema voltou a ganhar força nas redes sociais, obrigando o Congresso Nacional a reencaminhar os projetos do fim da escala 6x1, como a PEC 148/2015, de autoria de Paulo Paim (PT-RS), e a PEC nº 221/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG), a qual foi apensada a PEC nº 08/25, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP).

Em abril de 2026, o governo Lula enviou ao Congresso Nacional uma proposta pelo fim da escala 6x1, provocando a aceleração das discussões sobre o tema no Legislativo, ganhando força a PEC 221/2019, que iniciou a tramitação na Câmara e seguiu para o Senado.

"Graças à mobilização do sindicato e demais movimentos sociais, gerando muita pressão popular, é que chegamos nesta grande vitória, tornando o dia de hoje histórico para todos os trabalhadores, mesmo os que já trabalham na escala 5x2", arremata Juvandia Moreira.

PL tenta sabotar a PEC 

Minutos antes do início da votação da PEC 221, a líder do PT na casa legislativa, Teresa Leitão (PT-PE), declarou à TV Senado que uma agenda especial para que os dois turnos de votação ocorressem ainda hoje seria apreciada, o que ocorreu logo após o 1º turno.

Com isso, as bases do governo conseguiram afastar a tentativa do partido do senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, de sabotar a PEC do fim da escala 6x1, jogando a votação do 2º turno para depois das eleições presidenciais.

“Numa estratégia puramente eleitoreira, o PL liberou a bancada para que votasse em favor da PEC 221 no 1º turno, porém, com o plano de impedir o 2º turno antes das eleições presidenciais de 25 de outubro. Eles queriam ganhar mais tempo para acabar com a PEC, sabendo que, se tentassem derrubá-la hoje, o candidato deles perderia ainda mais votos”, explica o secretário de Relações Sindicais da Contraf-CUT e responsável pelo acompanhamento das pautas relacionadas aos trabalhadores no Congresso Nacional, Jeferson Meira, o Jefão. “Mas, graças a essa organização da liderança do PT junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, os dois turnos de apreciação da PEC 221 aconteceram hoje e, para não ficar óbvio para o povo a contradição nos discursos dos senadores da extrema-direita, quem votou em favor da proposta teve que confirmar o voto no mesmo dia”, completa o dirigente.

Fim da escala 6x1 em risco

O perigo de retrocesso nesta grande conquista, no entanto, não está plenamente afastado. A coluna Painel, da Folha de S.Paulo, dessa terça-feira (13), revelou que, para aliados, Flávio afirmou que, se for eleito à presidência, irá rever a PEC do fim da escala 6x1. 

Flávio Bolsonaro defende um modelo de “trabalho por hora”, ou “horas flexíveis”, no qual o trabalhador receberia por hora trabalhada, e não mais um salário fixo mensal, o que além de retroceder em relação ao fim da escala 6x1, coloca em risco todos os direitos dos trabalhadores brasileiros, incluída a exigência de uma remuneração mínima mensal.

A resistência em relação ao fim da escala 6x1 também aparece nas declarações de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro. Em agosto, Daniella classificou o debate sobre o fim da escala 6x1 como “populista e inócuo”.

"Não podemos esquecer que o coordenador geral de campanha do candidato do PL, o senador Rogério Marinho, tentou esvaziar a PEC 221. Sem sucesso, criou uma contraproposta, a PEC das Horas Trabalhadas (12/2026), assinada por Flávio e outras dezenas de senadores, para diminuir verbas rescisórias como férias, 13º salário, FGTS e acabar com as negociações coletivas (aplicando a negociação individual entre patrão e empregado)", alerta Juvandia Moreira.

A presidenta da Contraf-CUT completa que o plano de governo de Flávio Bolsonaro também propõe medidas que flexibilizam e destroem direitos trabalhistas. "Uma eventual eleição do candidato do PL significará não apenas ataques à PEC 221, aprovada hoje, como também a retirada de direitos já consolidados na CLT, com retrocessos trabalhistas sem precedentes. Estamos falando de trabalhador e patrão negociando diretamente, sem a segurança da intermediação sindical, escala 7x0, ganhos por hora trabalhada, salários reduzidos, fim de férias e do descanso semanal remunerado", conclui a dirigente.

*Por Lilian Milena, jornalista da Contraf-CUT (Com edição da Comunicação do SEEBCG-MS)


 

Convênios saiba +

Clube de campo saiba +

Jogos/ Resultadossaiba +

Parceiros