28 de Setembro de 2009 às 09:23

Comando Nacional decide ampliar a greve e cobra negociação da Fenaban

O Comando Nacional dos Bancários reuniu-se neste sábado 26 em São Paulo para avaliar os dois primeiros dias da greve por tempo indeterminado deflagrada no dia 24 em todos os 27 Estados e no Distrito Federal e discutir a estratégia de ampliação do movimento a partir desta segunda-feira. Também decidiu enviar ofício à Fenaban cobrando a retomada das negociações a partir desta terça-feira e reafirmando as reivindicações da categoria por aumento real de salário, PLR maior, valorização dos pisos, uma política de preservação dos empregos e mais contratações, melhores condições de saúde, segurança e trabalho, combate às metas abusivas e ao assédio moral, auxílio-educação e plano de previdência complementar para todos.


Os integrantes do Comando Nacional foram unânimes na avaliação de que a greve surpreendeu pela força e amplitude, sobretudo nos bancos privados, e é um êxito em todo o país. No primeiro dia da paralisação, foram fechadas 2.881 agências, além de centros administrativos de todos os bancos, segundo levantamento da Contraf-CUT a partir das informações dos 134 sindicatos de bancários do país. A greve cresceu na sexta-feira, paralisando 4.791 agências, o que representa aumento de 65,9% em relação ao dia anterior.


"Apesar da intimidação dos bancos contra os trabalhadores para cercear o direito constitucional de greve, inclusive apelando para a repressão policial, a grande adesão à paralisação demonstra que os bancários estão indignados com o abuso dos bancos. Mesmo alcançando lucros de R$19,3 bilhões no primeiro semestre, os maiores de toda a economia brasileira, os bancos se recusam a conceder aumento real de salário e ainda querem reduzir a PLR", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenador do Comando Nacional.


Interdito proibitório


Ao invés de negociar, a exemplo dos últimos anos os bancos estão abusando na utilização do interdito proibitório para impedir o direito legítimo de greve assegurado pela Constituição. Este ano, no entanto, muitos juízes estão negando a concessão do interdito por entenderem que esse instrumento jurídico é inadequado para os conflitos trabalhistas - tese defendida pela CUT e demais entidades sindicais.


"O interdito possessório, para se justificar, só teria sentido pela ameaça do direito de propriedade do banco autor. Contudo, o direito dos empregados de entrarem, aderirem à greve, ou não, não pode se tratado como um direito de propriedade", despachou o juiz Marcel da Costa Roman Bispo, da 20ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, ao negar o segundo pedido do Bradesco na capital fluminense, na sexta-feira 25.


Nesta segunda-feira, o Comando também enviará carta às direções dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia e BNB) cobrando a retomada das negociações específicas.


Veja a íntegra da carta enviada pelo Comando Nacional à Fenaban:


São Paulo, 26 de setembro de 2009


Ao Sr. Magnus Apostólico
Superintendente de Relações do Trabalho da Fenaban


Considerando que ainda não recebemos resposta ao ofício que encaminhamos a V.Sa. no dia 18 de setembro manifestando o posicionamento do Comando Nacional dos Bancários de rejeitar a proposta apresentada pela Fenaban no dia anterior e solicitando uma nova proposição para que pudéssemos avançar nas negociações;


Considerando que as assembléias gerais da categoria em todo o país ratificaram a posição do Comando Nacional de rejeitar a proposta por considerá-la insuficiente, decidindo deflagrar a greve por tempo indeterminado;


Considerando que V.Sa. tem afirmado pela imprensa estar preocupado com a "falta de negociação" e que o Comando "tem de dizer o que tem de melhorar";


O Comando Nacional dos Bancários, reunido em São Paulo na tarde deste sábado, 26 de setembro, reafirma que a proposta para atender às necessidades dos trabalhadores precisa contemplar aumento real de salário, melhoria da PLR, valorização dos pisos salariais, uma política de preservação dos empregos e mais contratações, melhores condições de saúde, segurança e trabalho, combate às metas abusivas e ao assédio moral, auxílio-educação e plano de previdência complementar para todos.


Diante do exposto, o Comando Nacional dos Bancários se coloca à disposição desta entidade patronal para retomar as negociações a partir desta terça-feira, 29 de setembro, e aguardamos sua manifestação.


Atenciosamente,

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT


Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Fonte: Contraf-CUT

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