7 de Julho de 2026 às 15:28
2ª Rodada de Negociação

Na segunda rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários, realizada nesta terça-feira (7), o movimento sindical apresentou aos bancos dados sólidos de que o setor está na contramão do mercado de trabalho.
Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram os postos de trabalho em cerca de 93,3 mil. No último ano, o Santander eliminou 6.196 postos, o Itaú 4.620, Bradesco 3.017 e, o Banco do Brasil, 1.498 postos, totalizando 15.331 pontos. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências. No entanto, Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões.
"Esses dados apontam para uma diferença muito grande do que está acontecendo no setor bancário em relação ao que estamos vivendo no Brasil, com recorde nos níveis de carteira assinada. E os números de postos fechados demonstram que Santander, Itaú e Bradesco fizeram demissões em massa, o que, no entendimento da Justiça, não pode acontecer sem negociação prévia”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT.
O Comando Nacional apontou também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025.
"A grande questão, portanto, é que o trabalho bancário não está sendo eliminado, na verdade está sendo transferido para os correspondentes bancários e outros segmentos do ramo financeiro. Estão fechando as agências para transferir o atendimento presencial para os correspondentes. Esse movimento também abre espaço para as cooperativas de crédito, que estão cada vez mais presentes nas áreas abandonadas pelos bancos", completou Juvandia Moreira.
Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações. A Fenaban, porém, negou os pedidos.
"Saímos da mesa com um sentimento de frustração total. Reivindicamos a suspensão das demissões e do fechamento de agências enquanto as negociações estiverem em andamento, mas a Fenaban mantém a mesma postura irredutível e negou tudo de imediato", criticou Neide Rodrigues, presidenta do SEEBCG-MS e vice-presidenta da Fetec-CUT/CN.
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A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, destacou que do total de postos de trabalho eliminados entre 2020 e maio de 2026, 25,5 mil (79% do total) eram ocupados por mulheres.
“Os bancos vão acabar com as mulheres na categoria? De 2024 para 2025, a participação de mulheres na categoria caiu de 49% para menos de 47%. Esses números mostram que uma parte importante dos nossos esforços na mesa de Igualdade de Oportunidades está sendo inviabilizada pelas demissões em massa. Mostram também que os bancos estão concentrando cada vez mais os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, e não cumprindo com a responsabilidade social de dividir esses ganhos com a população e com os trabalhadores", reforçou Neiva.
Como sugestão para conter a queda de mulheres no setor, o movimento sindical pediu a estabilidade de emprego às mulheres vítimas de violência doméstica e também o fortalecimento das ações de qualificação e requalificação de mulheres em tecnologia da informação (TI), conquistadas na Campanha Nacional Unificada de 2024.

O presidente da Seeb-BH e também membro do Comando Nacional, Ramon Peres, destacou que, em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, o que corresponde a uma média de 28,6 milhões de transações por dia útil.
"Esses dados mostram que, apesar das transformações digitais dentro do sistema financeiro, as agências continuam movimentando elevado volume de operações presenciais. A população brasileira ainda precisa de agências e do atendimento humano, em especial os idosos", arrematou.
O Comando Nacional também cobrou que a Fenaban traga, numa próxima mesa, os valores financeiros movimentados nas agências.
O Comando Nacional reforçou a reivindicação pelo fim das terceirizações - já que quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria.
Os representantes dos trabalhadores exigiram o retorno das homologações nas entidades sindicais, como proteção aos trabalhadores.
Outras exigências do Comando Nacional foram:
- Indenização adicional em caso de demissão; e
- Criação de um banco de talentos bancários.
Ao final da mesa, os representantes da Fenaban negaram:
- O fim das demissões e do fechamento de agências.
- O pedido de estabilidade para toda a categoria durante o processo negocial, bem como às mulheres vítimas de violência doméstica.
- O pedido de indenização adicional em caso de demissão.
E ficaram de avaliar:
- O retorno das homologações nos sindicatos.
- Reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI.
- Criação de um banco de talentos bancários.
As próximas mesas estão agendadas para os dias 16 de julho (igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento), 21 de julho (saúde e condições de trabalho) e 30 de julho (remuneração e cláusulas econômicas).
"Vamos continuar na luta e acompanhando tudo. Espero que vocês, bancários e bancárias, acompanhem as nossas redes sociais para estarem preparados para uma possível mobilização, porque só a mobilização nos garante", convocou Neide Rodrigues.
Por: Contraf - com edição da Comunicação do SEEBCG-MS
Link: https://seebcgms.org.br/campanha-nacional-2026/comando-nacional-exige-suspensao-das-demissoes-e-do-fechamento-de-agencias/